sexta-feira, 23 de maio de 2008

Considerações de (sobre) uma ex-virgem

Minha amiga Dani finalmente deixou de ser virgem.
Digo finalmente porque ela tem 24 anos e se preparava para o ato há um bom tempo.
Não que não encontrasse nenhum cara disposto a fazer o silviço.
Pelo contrário; ela é linda e muitos foram os mancebos que apareceram no pedaço mais que entusiasmados com a idéia.
O problema da Dani é aquele mesmo que habita o cérebro de milhares e milhares de moças quando o assunto é sexo: a nóia - apelido carinhoso da paranóia.
Nóia, queridos, muita e muita nóia.
Daquela que surge do nada e vai crescendo como uma erva daninha, sem chamar atenção nem consumir noites em claro.
A praga, porém, se transforma numa planta carnívora abominável que traga pensamentos, idéias, razão e força de vontade até o limite do possível.
Há, obviamente, as guriazinhas sem muito tutano que na primeira oportunidade, lá pelos 13, 14 ou, no máximo, 15 anos cedem a um moleque qualquer nas escadas do prédio ou no banco de trás do carro do pai do imbecil. Este tipinho é o mesmo que logo engravidará e casará com o idiota semeador, para ambos criarem a prole catarrenta e sofrerem as conseqüências da falta de camisinha para o resto da vida.
Mas não é esse naipe de garota que viraria post no blog.
Falo das moças como a Dani, que apesar de terem todo o contexto certo e tradicional para a encaçapada (namorado firme de vários anos, pílula anticoncepcional, juízo e consentimento racional) seguem naquela dificuldade tipicamente feminina de dar logo duma vez.
Tudo por culpa da nóia.
O primeiro dilema é escolher o cara certo.
Porque veja só, o problema não é que ele será eternamente lembrado e por isso tem que ser um cara que valha a pena figurar em nossas memórias! Não! O xis da questão é que ele tem que ser ultra compreensivo e, se possível, carinhoso, lógico.
Tem que entender que mesmo com a calcinha já na altura dos joelhos pode ser que a menina mude de idéia, resolva botar toda a roupa e se embrulhar no edredon, sem ofertar nem o buraco da orelha. Ou que ela talvez morra de vergonha e queira fazer tudo com a luz apagada, no mais completo breu. Ou decida que vai dar logo e que ‘por favor, seja rápido’. Ela pode gritar. Chorar. Ficar com cara de muito arrependimento depois. Enfim, qualquer coisa pode acontecer e toda reação é imprevisível.
Já soube de amigas que tinham aquela atitude de bem-resolvidas e cabeça-fresca e que na hora H só faltou chamarem a mamãe.
O pobre escolhido terá que enfrentar tudo isso e saber de antemão que o tropeço é em razão da nóia que acompanha todo o processo.
Meninos, relaxem, a culpa não é de vocês.
Pensem no computador mais foda já criado, capaz de realizar trocentas bilhões de trilhões de operações por segundo.
Naquele momento em que vocês tentam abrir nosso sutiã enquanto com a outra mão vasculham a carteira em busca de camisinha, nossos pobres neurônios estão trabalhando mais que os bytes do super computador. Centenas de pensamentos vagam quase desconexos e seguir uma linha de raciocínio é impossível. Entretanto, o top 5 das mais comuns a martelarem nosso raciocínio são, em ordem:
1 - Será que eu deixo?
2 - O que minha família pensaria de mim?
3 - O que ele vai pensar de mim?
4 - O que eu faço agora?
5 - O que ele vai fazer agora?
Lógico que isso não serve para tooooodas as mulheres do universo no momento do sexo; só para as que estão começando a trilhar o caminho.
Depois de alguma experiência e aprendizado, a lista fica mais ou menos assim:
1 - …
2 - Assim não…
3 - Assim…
4 - Caralhoputaquepariu, dá pra ir mais rápido com essa camisinha?
5 - Amanhã preciso mandar lavar o carro, tá imundo.
E ir ao supermercado, não tem mais nada em casa. Será que tinha detergente na lista?
Enfim, a coisa toda melhora. Ou não.
Uma coisa é certa: no início é tudo muuuuuuuuuuito mais difícil.
Não só o sexo em si, mas até os amassos são cheios de dúvidas e pensamentos martirizantes.
Afinal, há muita coisa em jogo.
A tal da culpa é a principal.
Realize: antes ela era virgem, como provavelmente qualquer pai prefere acreditar mesmo que a filha tenha 56 anos. Há toda uma carga envolvendo família, religião, sociedade, estereótipos, valores e costumes que pesam sobre os ombros dela.
Lidar com isso não é tarefa das mais fáceis e pode levar certo tempo para que ela própria aceite sua nova condição: de não-virgem.
E perceba que não há grandes mudanças em torno disso.
Outro pilar fundamental é a bendita aceitação do próprio corpo.
Uma guria que se ache linda, gostosa, se sinta bem de biquíni ou calcinha e sutiã talvez tenha menos trabalho para se despir. Afinal, ela sabe que é linda! Mas como uma mulher que se acha feia, que enxerga vários defeitos escandalosos em si própria, conseguirá ficar nua na frente de um homem? E se for um homem de quem ela goste, ainda por cima?
Por isso tantas e tantas mantém o quarto na escuridão total.
A moça dificilmente aproveitará os carinhos e as brincadeiras do sexo (para não dizer o clímax), já que não se sente confortável com a aparência e silhueta.
Para as feministas que acreditam piamente que os tabus do sexo para as mulheres já foram derrubados, aconselho a observarem as garotas em idade sexual sem o véu de idealismos e falsas atitudes.
Não são apenas as garotas que gostam de sexo e não são (muito) encanadas com o assunto que sofrem com rótulos.
Há milhões de outras que, apesar de pílulas, camisinhas e todo o discurso demagogo sobre liberdade sexual ainda são constantemente atormentadas por ela, a nóia, num auto-bullying perverso.
Por isso fico muito feliz pela minha amiga Dani.
Mais que deixar de ser virgem, ela venceu uma competição travada contra si própria. E a partir de agora, tudo tende a melhorar ;)
Recebi por e-mail de uma leitora e amei, obrigada Angela.

Um comentário:

Viviana Ruiz disse...

Ah,Amiga... gostei muito do comentário no meu blog, aliás eu relacionei seu blog numa lista em qua vou colocando os meus favoritos!!! Espero que aceite!
Esse negócio de virgindade é um assunto um tanto cabuloso e enigmático, pode-se dizer de passagem ( penas de passagem) que me encaixo perfeitamente naquelas que esperam o "carinha certo", mesmo sabendo que... ele nunca existrá na real!!!! Mas afinal maei o post como sempre muito criativo e original, continue sempre assim... bjOs